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sábado, 1 de setembro de 2012

Complexo de Jocasta


Um paciente me diz que tem relações esquisitas. Outro, que tem relações que não são esquisitas, mas pouco apropriadas.
Vem mais um e me conta que tem relações que não são esquisitas, nem inapropriadas, mas que tem um puta sentimento de culpa em relação a isto.
Este era Laio, que era casado com Jocasta, e pai de Édipo. Puta complexo de culpa.
Para infelicidade de todos, só não vem o que não tem problemas com relações esquisitas e inapropriadas, como foi o caso do Édipo. Como não tinha problemas, nunca o vi mais gordo, e não consegui prever  bulhufas da merda toda que ele ia aprontar.
Édipo foi até sua casa no Meyer, deu um tirambaço em Laio, e fodeu com Jocasta, a sua própria mãe.
Mas Édipo mesmo foi um só. O resto dos filhos babacas todos do mundo tremeram diante da cortina negra que os separam de suas Jocastas e de seus pâramos de indecência.
Não ficou por isso, no entanto. Vendo que Édipo era um só, as Jocastas outras desceram dos subúrbios e mataram todos os Laios.
Só depois, quando seus filhos varões souberam, vieram se locupletar. E se deram mal.
— Se houve um Édipo, ele foi único, aquele que matou o seu próprio Laio. — elas disseram — Para vocês, os outros, é chegado o tempo de irem para Maracangalha. 
Quanto ao verdadeiro e único Édipo, preciso convencê-lo a vir aqui e tomar uma branquinha comigo. Édipo tem que me contar tudo a respeito de Laio. Acho que Nelson Rodrigues o encontrou, e talvez por isso soubesse tantas coisas a respeito da vida real.
Não tenho tanta esperança de que consiga, mas ontem já tive uma consolação — Jocasta, a esquecida, começou o tratamento comigo. Vou provar que o Complexo de Jocasta que andaram dizendo por aí não tem nada a ver com a nave central de sua psiquê.
Por fim, e para que conste, os mother fuckers, que seriam os que teoricamente mais precisam de terapia, não gastam o seu rico dinheirinho com estas besteirices. Preferem comprar bombons da Godiva para suas incestuosas concubinas.

Jocasta, carvão e pastel sobre papel, por Alison Lambert


Quanto a você, meu pobre paciente, que comeu a priminha e está cheio e pútrido com esta canga pesada, esquece.
Como diria o tribuno de Maracangalha, — Ascende comede et deliciai — o que em português seria — Ide, comei e se deliciai, ou falando sem papas— Vai, come e se lambuza.
Beijos do

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Prezado Dr. Karl


Doutor Karl, enviuvei tem quinze dias, e estou me sentindo muito só. Isto já me aconteceu três vezes. Acontece que o meu saudoso e último marido ganhou na mega sena logo antes de sua morte  e assim, eu estou só e milionária. Eu já era um pouquinho rica, mas agora rebentei a boca do balão.
Não sei se vou aguentar muito tempo esta solidão, porque sou uma mulher muito afetiva e preciso de uma presença masculina bastante, digamos assim, carnal.
O que devo fazer?
ass. Viuvinha de de São João do Mato Dentro
p.s. Mando minha foto em anexo. O senhor vai ver que sou adepta da burca, mas gosto de usá-la bem curtinha. Ah, e olha só o presentinho que comprei para me consolar da minha perda.



Viuvinha,  seu luto foi bastante rápido, eu diria, quase que instantâneo. 
Impressionante, né? Pela foto, você ainda tem bastante caldo, e muito amor para dar. Sugiro que saia dando este amor todo por aí. Como sugestão, troque a sua alcunha para Viúva Negra, Tentação Maldita, Jararaca da Noite, ou qualquer coisa do gênero. Mas fique bem longe de mim, por favor, porque sou pobre e ainda quero viver bastante.
Do sempre seu (oops, sempre seu porra nenhuma!)